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Um roteiro para visitar Cuba

É só perguntar: “El último?” que você já sabe a sua vez. Tome um café ou vá ao banheiro à vontade, sua vez será respeitada. É verdade, turistas não sabem nada disso e formam filas onde quer que seja. Essa é só a primeira excentricidade de um país cercado por todos os lados pelo nosso já velho conhecido, o capitalismo: a Repúbica de Cuba.

País tão próximo e ao mesmo tempo tão singular, a ilha socialista é pequena mas tem muito a oferecer. Com o fim da URSS e da pressão estabelecida a partir de então, a economia cubana passou a girar quase que exclusivamente em torno da recepção de estrangeiros, com investimento incisivo no turismo.

Antes de ir eu não tinha noção de que Cuba era muito melhor do que se fala por aí, “um país pobre e decadente”. É claro que existe pobreza, mas nada diferente do que estamos acostumados aqui no Brasil. De forma um pouco mais intensa que aqui, o turista é visto por muitos como um saco de dinheiro ambulante, gerando muito assédio, mesmo que proibido por lei.

Certa vez, fui abordada por um senhor que pedia qualquer coisa em troca de charutos artesanais que havia fabricado com sua familia. Não fumo, mas confesso que foi prazeroso trazer charutos verdadeiramente cubanos para o Brasil, trocados por Havaianas e uma camiseta.

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O povo de Cuba é muito bonito, principalmente os criolos, com seus olhos amendoados levemente puxados. Ainda assim, é praticamente impossível dar chance a qualquer um deles, principalmente aos homens. Eles tem um approach bastante desagradável, invasivo e desrespeitoso.

Cuba é um país insuportavelmente machista, e por isso não pretendo voltar sozinha, sendo uma mulher. Nos momentos em que tive a oportunidade de estar com amigos homens parecia estar em outro país. Como mulher, é muito difícil conversar com qualquer cubano, seja para pedir informação ou simplesmente saber coisas sobre o país.

Se você está em um bar, é irritante a persistência que eles têm para te tirar para dançar e se esfregar assim que você aceitar. Nada além disso vai acontecer — as leis relacionadas a turistas são as mais rígidas — mas você vai voltar sentindo-se mentalmente estuprada. Não desista da viagem por esse comentário, existem pessoas maravilhosas também, como em qualquer parte.

Considere levar Euros ao invés de Dólares, que são tributados muito além da taxa de câmbio. Correm boatos de que a moeda americana vale bastante no mercado negro, do qual eu nunca vi nem sombra.

Para fazer as contas, no entanto, é mais fácil calcular em dólar, uma vez que 1 CUC vale U$1,00. CUC é a moeda criada para os estrangeiros, que têm poder de compra muito superior e não consomem os produtos subsidiados para os cubanos, pagos em CUP (moeda nacional). 1 CUC vale 25 moedas nacionais, o que não é pouco para um cubano. Idealmente essa divisão é justa, mas na prática ela está longe de ser eficaz, e com isso, o governo cubano prometeu criar uma moeda única nos próximos anos.

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Para ir a Cuba não é necessário passar pela embaixada em busca de um visto, que é emitido pela companhia aérea e pode ser comprado no checkin, por algo em torno de R$50,00. Para sair do país deve-se pagar 25 CUC, que não devem ser esquecidos de forma alguma.

Dizem que o verão é bastante quente, aconselho, contudo, que não subestimem o inverno cubano. Em dias menos ensolarados eu ficava encasacada na praia e todo mundo que conheci reclamou de ter levado roupa “para sensualizar” demais e calça de menos.

Hospedagem em Cuba

Hospedar-se em Cuba é bastante fácil. Existem os hotéis estatais, custando por volta de 50CUC a diária e as casas particulares, mais utilizadas, por volta de 20CUC o quarto. Ambos podem ser reservados pela internet, porém não é muito problemático tentar encontrar um na hora. Casas particulares são, como diz o nome, de propriedade de um cubano, aptas a receber hóspedes de acordo com autorização dada pelo governo.

Elas usualmente são padronizadas: recém reformadas, limpas, organizadas, com uma família simpática e prestativa e um café-da-manhã a 3 CUC por pessoa, com ovos, frutas e variados. Seus donos são ligados a uma espécie de máfia, ganhando comissões por recomendações.

Uma vez na primeira casa particular, você é quase que automaticamente redirecionado para a seguinte, no seu próximo destino, garantindo um lugar confiável para ficar, ainda que imposto, de certa forma. Por lei, é proibido hospedar um estrangeiro sem autorização prévia, dificultando consideravelmente formas de hospedagem mais baratas, informais e ricas em trocas.

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Havana

Indo de encontro ao que realmente interessa: Havana, normalmente o primeiro ponto de parada, é uma cidade incrível, viva. As imagens de casas maltratadas e apertadinhas que circulam por aí são de Habana Vieja ou Centro Habana, pedaço da cidade que ferve.

É onde está a maior parte dos turistas, das atrações históricas e do comércio, seja ele para locais ou estrangeiros, de acordo com os preços e as mercadorias. O Museo de la Revolución é muito simples, assim como a maioria ao longo do país, mas imperdível. Os Museus de Belas Artes também são ótimos e se der tempo de conhecer apenas um, vá ao de arte cubana.

Se você gosta de comprar ou apenas olhar arte local, vá ao mercado dentro da Estación Central de Ferrocarriles. A Plaza de las Armas e entornos têm arquitetura antiga e bem preservada, além de vendedores ambulantes cheios de antiguidades merecedoras de no mínimo uma olhada. Por dar acesso à Calle Obisbo, rua principal do turismo, é uma região extremamente cheia.

Mas o bom mesmo é andar por ali sem muito rumo e tentar entender esse povo único. A noite cubana funciona à base da salsa, mas não desmereça a rumba, festejada lindamente no Callejón de Hamel, aos domingos.

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Os restaurantes populares são chamados de Paladares. São casas que servem o PF deles por volta de 30 de moeda nacional (CUP) ou 2CUC. Paladares são bem aceitáveis e comuns em Havana, porém bem mais raros em outras cidades, afinal, os cubanos preferem comer em casa, consumindo a sua cesta básica.

Não espere comer carne bovina em lugares não turísticos, a carne de “res”, como é chamada, é cara e difícil de encontrar, sendo reservadas as vacas para a produção de laticínios. Você vai enjoar de comer pollo (frango), cerdo (porco) e pescado.

Muitas casas particulares oferecem cozinhar para você e a comida é, dentro das limitações, bem gostosa. Só que ela custa quase o mesmo que em um restaurante, a partir de 6 CUC. Pra comer na rua, existem os bocaditos (pequenos sanduíches), as pizzas, churros, etc, além de refrescos de origem duvidosa. Nesse sentido, os doces costumam ser um petisco menos arriscado.

Seguindo a oeste desse Centro encontrase Vedado, um bairro de origem mais abastada. Vale muito a pena passear por entre os casarões antigos e edifícios modernos, muitos abandonados, outros tomados pelos mais diversos tipos de atividades e pessoas.

É um bairro menos amontoado e mais residencial, sendo tranquilo e até transado. Se você procurar um pouquinho pode encontrar restaurantes diferentes, teatros (Calle Linea), centros de dança, e por aí vai. Adiante está Miramar, o suposto luxo de Havana. É lá que estão as casas noturnas e de show mais badaladas e algumas praias, que você provavelmente não vai ter tempo de conhecer, estando muito ocupado com a infinidade de atrações de Centro Habana, Habana Vieja e Vedado.

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Para transitar entre esses bairros você pode ir a pé, se tiver pique, mas o mais comum são os taxis e as maquinas. Taxis, em geral, carregam a placa característica e cobram a corrida em CUC com valor estabelecido antes, fazendo o trajeto que você quiser.

É preferível pegar uma máquina, carro dos anos 50, completamente pelado por dentro, que faz trajetos fixos por avenidas principais, recolhendo e deixando pessoas, como a nossa conhecida van. São, portanto, coletivas, e custam por volta de 10 moeda nacional (eq. 10/25 de CUC).

Para pegar uma máquina é só perguntar pra alguém a rua certa e fazer sinal para qualquer carro antigo que passar, perguntando se ele passa pelo seu destino. Existem ainda as Guaguas, ônibus subsidiados que custam 1 CUP apenas. Suas rotas são complicadas, e o motorista pode implicar por você ser turista, mas às vezes vale a pena tentar.

Por fim, você pode alugar um carro. Não recomendo para transitar dentro de Havana, talvez em outras cidades, nais quais seja mais difícil encontrar máquinas, e principalmente entre cidades. Os carros são novos, preparados com conforto para nós, os capitalistas.

Além da opção de aluguel, a forma mais comum de se viajar entre cidades é através da companhia de ônibus Via Azul, que oferece normalmente preços justos. Para trajetos mais curtos, vale muito a pena contratar um taxi coletivo, oferecido na porta da rodoviária por agências ou em qualquer lugar na rua. Costumam fazer um desconto e te deixam e buscam onde for marcado. Muitas vezes são ilegais, nada de frescuras se essa for sua opção. Andam rápido, com o som no último volume, sem retrovisor e com gasolina vendida numa casa de subúrbio.

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Trinidad

Outra tradicional parada é Trinidad, a Paraty cubana, de arquitetura muito bonita. Ainda assim, não vale mais do que um dia bem explorado. Passei ao todo três dias em Trinidad e achei os outros passeios meio parecidos com qualquer cidade do Sudeste do Brasil.

A cidade é feita pra turista ver, plastificada demais, como costuma dizer minha mãe, além de cara para os padrões nacionais. É exatamente aquilo que eu sempre ouvi falar do turismo em Cuba, tudo arrumadinho e irreal, enquanto as redondezas são pobres e “feias”.

Encontrei apenas um paladar, bem ruim. Os restaurantes turísticos são lindos e bem mais caros que o normal, entre 10 e 15 CUC. Vale a pena ir para a Praia de Ancón (tem um ônibus por 2 CUC que sai das ruas principais) passar parte do dia. A praia é simpática, mas bonito mesmo é o caminho até lá.

Aliás, não cometa o mesmo erro que eu e minha colega de viagem, Yumi, achando que praias no Caribe são necessariamente paradisíacas. Existem praias cinza e de pedra, e o nosso litoral não perde em nada. Para o fim da tarde vale a pena passear pela cidade, explorando as ruas, restaurantes e lojinhas, que são sempre a parte da frente da casa de um local, separadas por uma divisória simples (se você for caradepau que nem eu é bem curioso observar a dinâmica da casa).

Para a noite existem, como sempre, a Casa de la Musica e a Casa de la Trova, rede de entretenimento nacional, que tocam, obviamente, salsa, eventualmente trovas (a bossa nova cubana) e mais para o final da noite reggaeton. Sugiro uma ida à Casa de la Musica e sua muito agradável escadaria, ao menos para um drink antes de fecharem e cobrarem entradas, e se aguentar, sugiro passar noite a dentro na Ayala, uma discoteca literalmente dentro da caverna, como eu nunca vi igual.

Se você passar na Plaza Carillo, de um olá aos homens que vendem passeios a cavalo. Depois de insistir na venda e no chaveco, eles finalmente percebem que você não quer nada disso e mostram-se muito generosos. Era meu aniversário e eles ofereceram uma festa com direito a porco no espeto e uma corrida de taxi de graça.

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Perto de Trinidad existem duas cidades que não tive chance de conhecer: Santa Clara e Camaguey. Santa Clara tem como principal atração, e, na opinião de muitos a única, o Mausoléo de Che Guevara. Já Camaguey parece ser muito bonita, mas ninguém conseguiu dizer nada além disso.

Entre Havana e Trinidad estão também Viñales, cidade do tabaco e passeios por vales, e Cienfuegos. Cienfuegos é bem conhecida por seu centro histórico, que eu achei de visita dispensável, e sua praia, muito semelhante às nossas.

A experiência mais interessante de Cienfuegos deve ser o Cubaníssimo, casa de shows com muitos bailarinos vestidos de uma versão mais verídica da Carmen Miranda. Um show para inglês ver, a não ser pelo fato de que o público era inteiro cubano, com direito a balada reggaeton depois.

Santiago

A segunda maior cidade do país, Santiago, é mais parecida com SP do que Havana, seja pela geografia, que é de um extenso e cansativo sobe e desce constante, ou pela quantidade de motos nos azucrinando. É o tipo de cidade que tem seus prazeres escondidos, não basta perambular para achar. Recomendo, para tanto, tentar um contato com um local.

Eu não consegui e Santiago acabou parecendo-me um pouco hostil e fria. É conhecida como a cidade mais importante para a música e para achar um amor cubano, devo dizer, no entanto, que o que me impressionou de fato foram as lojas de artesanato e os despretensiosos e incríveis museus, como o Museu do Carnaval. Ah, as ruas mudaram de nome e ninguém fez o esforço de trocar as placas, imagina só a confusão…

Faça um passeio patrão e não tão caro, combinando um dia inteiro com um motorista dos jipes por 30 CUC, fazendo a Gran Piedra, Castillo el Morro e o que mais der vontade.

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Baracoa

Em oposição à loucura de Santiago, Baracoa divide o topo do ranking cubano com Havana. A pequena cidade é charmosa, cultural, simples, simpática, tranquila e tudo que você puder imaginar de agradável. Como se isso tudo não bastasse, a natureza é exuberante.

Recomendo pelo menos três dias, levando em conta a dificuldade de chegada e partida (considere seriamente um taxi coletivo). Eu só tive um e foi inesquecível. Faça tudo que você puder pelos entornos da cidade e não deixe de passear à toa por suas ruas e conversar com seu receptivo povo. Foi o primeiro lugar no qual não sofri nenhum tipo de assédio.

Se o seu negócio é praia, vá para Holguín, Varadero e Remedios. Na primeira, a fama pertence a Guardalavaca, enseada queridinha dos turistas daquele jeito bem pra gringo: resort, mariachis versão cubana, muita gente e badalação. Mais plastificado do que isso só Varadero, para a qual as agências fecham pacotes em que você nem sente o cheiro de Cuba.

Ambas são bonitas, mas Remedios é menorzinha e tem saídas para os paradisíacos Cayos. São passeios caros, mas fugindo dos resorts e do transporte padrão, com os necessários taxis coletivos, você sempre consegue um preço acessível.

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Todo cubano é muito orgulhoso de ser cubano. Um jovem pode estar criticando absolutamente tudo em seu país e logo em seguida demonstrar a tatuagem de Che que carrega no antebraço. Fato é que a história desse país o torna único. Estar lá é em muitos momentos estressante e cansativo, mas todos não veem a hora de voltar.

Para entrar no clima sugiro dois filmes bastante opostos: A Partida e Juan de los Muertos. Pra vocês, também, o hit verão 2014.

Este post é uma colaboração da  Karen Gronich Antunes que  insiste em estudar audiovisual, dançar por hobby e viver de cozinhar. Mas no fundo mesmo, é só por viajar que ela é tarada.


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