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7 erros de uma road trip sem noção pela Itália

Bom, como prometido, neste post falamos sobre a nossa primeira road trip, que foi de três semanas pelo norte da Itália. A gente estava morando em Grenoble, França, que fica muito perto da fronteira com a Itália e a Suíça.

Era verão de 2015, eu estava de férias do trabalho, decidimos então arriscar. Fizemos um roteiro mais ou menos (leia-se bem mal feito), aproximadamente como este ai no mapa, compramos um fogãozinho de acampamento, dois sacos de dormir, uma barraca, uma caixa térmica, e começamos a pedir hospedagem no Couchsurfing.

Acontece que dos 21 dias de viagem, conseguimos apenas sete noites de hospedagem (contando já com a camaradagem de um amigo que nos recebeu em Milão), mas pensamos que ainda havia todo o tempo da própria viagem para fazer mais pedidos, que tínhamos barraca, que tínhamos o carro para dormir… Saímos assim mesmo.

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2 foto mapa road

Já na estrada em direção a Nice (Côte d’Ázur) a gente se ligou que a viagem ia ser ótima, a cada paisagem ficávamos de boca aberta

Já na estrada em direção a Nice (Côte d’Ázur) a gente se ligou que a viagem ia ser ótima, a cada paisagem ficávamos de boca aberta

E também rapidamente percebemos, ao chegar em Nice, os motivos pelos quais a Côte D’Azur (Costa Azul) recebe este nome:

5 foto CA

Clique aqui para ler posts sobre cidades da Côte d’Azur

Mas, nem tudo são flores. Depois de quase 8 horas dirigindo, percebemos que tínhamos planejado a primeira dormida em Gênova, ainda faltavam 5 horas de viagem e o trânsito nas estradas estava infernal devido ao número de turistas. Estávamos atrasadas, cansadas e sem previsão de chegar e começamos a ficar com medo de perder nosso couch em Gênova.

Erro 1 – planejar mal o lugar de paragem

 

Erro 2 – desconhecer o volume de trânsito nas estradas no verão e calcular o tempo usando só o Google Maps (ingênuas).

 

Erro 3 – esquecer que as ruas das cidades na Europa são todas minúsculas (a parte velha das cidades, principalmente as áreas centrais, têm ruas às vezes com mais de dois mil anos de existência, não passa nem eu se não virar de lado, imagina uma enxurrada de carros)

 

Depois de umas três horas de atraso, chegamos a Gênova para descobrir que o nosso couch era um cara MUITO bizarro! Na boa, ele tinha certeza que a gente ia fazer um rala e rola com ele, e demorou um bom tempo pra ele entender que a gente era um casal, e que só queríamos dormir mesmo, de boas, que estávamos cansadas, etc.

No outro dia ele levou a gente para passear, mas fez o roteiro que ELE quis fazer, levou a gente nuns lugares nada a ver e mal apresentou a cidade, de maneira que a nossa experiência em Gênova foi meio méhh. Mas fica ai a foto do Costa Concórdia, o famoso navio acidentado em 2012. 

Costa Concórdia naufragado

Erro 4 – É o erro mais comum cometido principalmente por homens em relação a um casal de mulheres: achar que vai pegar as duas. Parou, né gentes?

Isso é coisa de filme pornô, enche o saco e coloca na gente em um duplo constrangimento, por ser mulher e por ser um casal. Simbora pensar melhor nisso ai, pipou. Esse erro é todo do cara do couch, não é nosso (não culpemos as vítimas, uhu!). 

Enfim, saímos no outro dia cedo em direção às Cinque Terres, que é um conjunto de cidadezinhas na costa da Ligúria, um sonho de lugar, Patrimônio Mundial da Humanidade. Fizemos todo o trajeto costeando o mar, mas ainda na parte alta, de maneira que conseguimos umas boas fotos (abaixo).

Paramos no acostamento, eu cozinhei, preparamos café, passou um ciclista e desejou “bom apetite” em italiano e eu respondi “obrigada” em francês, ficou tudo por isso mesmo. Coloquei meu tênis, esqueci de colocar as havaianas no carro (de maneira que elas ficaram até hoje vivendo nas montanhas da costa da Ligúria) e começamos a descer para ir até uma das Cinque Terres, Vernazza.

Cinque Terre

Foi ai que começou o pesadelo. Gentes, vocês não imaginam a quantidade de turistas! Tivemos que descer as montanhas, mas conforme nos aproximávamos de Vernazza o negócio ia ficando cada vez mais parecido com a 25 de Março, deixamos o carro lá na cochinchina e descemos a pé uns 15 minutos para poder chegar perto do mar.

Fora que tudo tinha que pagar, TUDO! Para deixar o carro, para usar o banheiro, para ter direito a um espaço na praia, ocupada previamente pelos bares e restaurantes, uma coisa de louco. Aprendemos a duras penas que as praias nessa região são praticamente privadas, sem exagero.

Erro 5 – Esquecer que regiões muito turísticas em alta temporada perdem quase todo seu encanto natural e ficam NADA parecidas com as fotos de catálogo, tipo esta logo abaixo, que tiramos em Vernazza.

 

Vernazza

Partimos então para o next stop, onde pretendíamos passar a noite, La Spezia/Portovenere. Ô lugar lindo de morrer! Pegamos um sol, tomamos uma ducha na praia (tipo banho mesmo gente, xampu e tudo), preparamos uns sanduíches e fomos dar um jeito de achar um lugar para dormir.

Rodamos um pouco com o carro, até conseguimos encontrar um estacionamento onde estavam paradas todas as motorhomes. Esses estacionamentos são ótimos, porque em geral têm umas mesinhas para apoio, alguns têm banheiro e a gente sabe que sempre haverá pessoas por perto.

Ficamos mais tranquilas e aproveitamos para dar uma volta de carro pela cidade para depois voltar e dormir no tal estacionamento.

Quando estávamos voltando, ainda no carro, eu decidi (do além) passar hidratante nas pernas, porque estava toda queimada de sol. Sem a menor cerimônia, tirei a calça, e estava lá, de boas, passando meu hidratante, quando nós fomos paradas pela polícia! Mano do céu!

Conforme a Olívia ia parando o carro, eu ia gritando pra ela “Vai mais pra frente, vai, vai, ele vai me ver de calcinha!”. E ela “Não dá, não posso, ele já mandou parar”. E foi assim que eu passei minha primeira vergonha na Itália…

via GIPHY

Bom, depois que eu recuperei minha dignidade, a gente voltou pro estacionamento e dormiu ao lado dos motorhomes, a quem eu passei a chamar carinhosamente de “amigos” (o que é estranho, porque isso gerou algumas perguntas depois:  “Como será que é dentro de um amigo?” Será que dá pra tomar banho dentro de um amigo?” E levou também a cenas patéticas tipo eu buzinando para as motor homes na estrada e gritando “Amigossssss”, com direito a tchauzinho e tudo. A Olívia não falava nada, só me olhava com uma sobrancelha mais levantada que a outra e balançava a cabeça, tadinha…

Dia seguinte, depois de uma noite de cão passada dentro do carro, a gente percebeu que tinha cometido o maior erro ever. O nosso carro (doravante chamado Nemo, o apelido que eu coloquei nele) é um comercial (um tipo que não existe no Brasil, é como um carro normal, só que sem os bancos traseiros.

Por fora parece absolutamente igual aos convencionais, mas por dentro é modificado. O lado bom é que a gente conseguiu carregar todas as nossas tralhas, o lado ruim é que os bancos da frente não reclinam muito e a gente dormiu meio sentadas, uma porcaria.

Erro 6 – Como é que a gente sai pensando em dormir no carro que tem espaço de carga (e que poderia ser usado para dormir), mas lota o espaço de carga? E depois resolve dormir em bancos não reclináveis?

E ainda sabendo que para a maioria dos dias a gente ainda não tinha hospedagem? Bem idiotas nós, né? Melhorar o carro e garantir que tenhamos noites com qualidade, a mais importante lição aprendida.

Quebradas, preparamos um café da manhã, partimos para o shopping da cidade, reabastecemos nosso depósito de água (carregamos um galão de 15 litros de água no carro, bem como uma jarra filtradora. Essa água nós usamos para beber, cozinhar, lavar louça, etc), fizemos compra de comida, usamos o banheiro e partimos para encontrar um camping para a próxima noite.

Achamos um camping a caminho já de Pisa e nas redondezas não havia muito o que fazer, então decidimos descansar, dormir melhor, lavar roupa, essas coisas. Chegamos no lugar e armamos a nossa barraca, felizes da vida. É uma pena eu não ter fotos da nossa barraca, na euforia esquecemos de tirar, mas nas próximas viagens a gente promete que tira.

Carregamos conosco nosso sabão e amaciante, e usamos uma caixa plástica com água que resolveu direitinho a questão da roupa. Levamos um barbante e improvisamos um varal arramado numa árvore e num “amigo” e secou tudo rapidinho.

O camping com vários amigos

Fomos dormir assim que caiu a noite e estava um clima super agradável. A gente estava crente que ia dormir logo por causa do cansaço, mas… vocês sabem… a vida é uma caixinha de surpresas.

Armaram uma tenda no meio do camping e lá pelas oito da noite começou a pregação. Isso, pregação. Descobrimos que estávamos no meio de um retiro de alguma igreja evangélica e o cara berrava muito no microfone. Pelas tantas começou a tocar uma banda e só foram parar perto de duas da manhã. Lá se foi nossa noite de descanso…

Perto das seis da manhã eu acordei com a claridade e tinha uma aranha do tamanho de uma vaca DENTRO DA BARRACA!!! Acordei a Olívia na base do berro e a coitada é que teve que ir lá cuidar de espantar a aranha. Meu, que noite para não se repetir!

via GIPHY

Erro 7 – Conferir se o camping tem toque de recolher num horário decente e fechar melhor a barraca.

Next day, hora de pegar a estrada sentido Pisa. A gente tinha couch para duas noites e estávamos mais felizes porque íamos poder descansar de duas noites muito mal dormidas. No caminho passamos rapidamente por Carrara, a terra do mármore, de onde veio o material para esculturas incríveis, como o David, de Michelangelo.

Olhando de longe, parece neve, mas é mármore de altíssima qualidade e também a origem da expressão “esculpido em Carrara”, que no Brasil a gente transformou em “cuspido e escarrado”

Carrara

Parece neve, né? Mas é mármore!

O nosso couch em Pisa foi o cara mais gente boa do planeta. Simpático, passou pouco tempo com a gente, mas o pouco que passou foi ótimo! Cineasta, falou um monte sobre as produções dele, ajudou a gente com dicas da cidade, cedeu a vaga dele de garagem, de maneira que a gente conseguiu aproveitar bem tanto Pisa como Lucca, uma cidadezinha medieval murada que fica logo ao lado e que visitamos de trem.

Mas, aquela velha história. Foi um pouco triste ver o que acontece de verdade, de verdade mesmo, na parte em que está a torre. Resumidamente, o local está completamente tomado por turistas tirando selfies ou fotos em perspectiva com a torre. Só olhar as fotos abaixo para ter uma ideia:

13 torre

14 duomo

Duas noites em Pisa, partimos novamente sem rumo certo, sentido a Florença! Não tínhamos couch, então não estávamos com pressa. E eu acho que nessas situações é que as melhores coisas acontecem.

E é na continuação desta novela que vamos contar como ficamos ilhadas por uma tempestade, como quase dormimos na rua, como fomos salvas em cima da hora por uma coincidência muito louca, como encontramos um grupo de motoqueiros na estrada e tivemos uma grande surpresa, como ganhamos um jantar todo especial de uma mama italiana e porque decidimos voltar pra casa mais cedo.

Até o próximo post e venham viajar com a gente!

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